
Tradição que Canta: Festival na Linha Paulina Celebra o Espírito do Filó e a Herança Italiana em Bento Gonçalves
Escrito por Ineri Copat, presidente da família trentina de Santo Antão, Brasil.
BENTO GONÇALVES – Há tradições que não apenas se relembram: vivem-se. Na Linha Paulina, o tempo pareceu desacelerar para dar passagem à memória, à identidade e ao som vibrante das vozes que mantêm acesa a chama da imigração italiana na Serra Gaúcha. O recente Festival Regional de Coros, organizado pela entidade parceira Trevisani nel Mondo, transformou a comunidade em um verdadeiro palco de celebração no autêntico estilo do filó italiano.
O evento foi uma imersão profunda na cultura dos antepassados. Entre sorrisos, reencontros e a alegria contagiante que marca a história dos imigrantes, o festival reafirmou que a música é o veículo mais poderoso para preservar as raízes de um povo.
O ápice da emoção ocorreu no encerramento das apresentações sacras na igreja local. Em um ato espontâneo de pura nostalgia e união, a grande multidão composta pelos integrantes dos coros deixou o templo em procissão festiva rumo ao salão de festas. Entoando em uníssono os versos imortais de Mérica, Mérica e outros clássicos do repertório tradicional, o público e os cantores transformaram o trajeto em um espetáculo vivo de resgate cultural.
Foi, sem dúvida, uma celebração inesquecível — um daqueles momentos raros em que o passado e o presente se abraçam sob o lema inegável de que relembrar é viver.


